sexta-feira, 7 de março de 2008

Portas e janelas abertas, ventilador ligado e muitas pessoas; trinta, mais de trinta graus, pessoas. O calor vencia os artifícios e os bons modos estavam bem esquecidos; mãos agitadas, cabelos desgandanhados, pés fora dos calçados, marcas escuras nas camisetas que indicavam suor.

Competia ao mestre a liberação dos estudantes e conseqüente alívio da tensão e ansiedade causados pela hipertermia corporal que, àquele momento, causava incômodo e desnorteio.

As mulheres, poucas e formosas, com o colo de fora, respingavam como se, frenéticamente, estivessem com homens e estes cheiravam à cavalos molhados.

O sol impiedoso, açoitava o lombo das árvores e ,quando chegasse meio dia, secaria até mesmo as mais verdes folhas do topo. Da janela, via-se os galhos que dissoravam e murchavam. Os pássaros que refrescavam-se à mangueira respingante, travavam épicas batalhas pelas poucas gotas de que não tinham nem sequer tempo de escorrer pelo chão, já que viravam vapor quase instantaneamente.

Confrontava meu desconforto à felicidade dos lagartos e mal podia tentar entender o que gerava tamanha satisfação naqueles seres asquerosos e ao mesmo tempo poéticos.
Quem dera, José, Maria, eu e quem quer que fosse, pudéssemos estar num hotel de gelo no norte da Europa.

Viva o povo das terras altas, onde não há calor como esse, viva as praias, açudes e piscinas, a cachaça, a boa música, as pernas, peitos, bundas, o biquíni e o top-less. Viva o fim da aula e a água gelada do bebedouro.

Um comentário:

giulipeki disse...

vc eh uma figura rara....soh me pergunto o que fazes estudando engenharia... mas que a sabedoria gue seu caminho...